O cordel do Maxado

O “camisa 10” é Franklin Machado, o “Maxado Nordestino”, escritor, jurista e jornalista baiano, um dos expoentes modernos da literatura de cordel brasileira.
Sem se fazer anunciar, um dia destes, montou a sua banca no Parque da Nossa Senhora do Bom Despacho e, para quem o quis ouvir, foi contando os seus muitos causos, em rima, e vendendo os seus folhetos a euro e meio cada um.

Não está muito longe para mim a memória dessa literatura. Lembro-me bem de encontrar pelas feiras da minha infância, gente a declamar  e até a cantar, em tom condoído, impressionantes  casos de faca e alguidar, que muito me arrepiavam, tanta a maldade que ía pelo mundo.

Tenho até, bem presente na memória a figura alta e muito elegante de um cego que acompanhado pela sua guitarra portuguesa, muito escavacada, periodicamente passava pela minha rua a cantar uns versos que vendia em folhetos amarelados, retratando,  quase sempre,  impressionantes cenas de facadas à falsa fé,  sucedidas no Cartaxo ou outra terra de lonjura semelhante, e sobre a desdita de mulheres assim deixadas viúvas com filhos pequenos de colo, sem ninguém no mundo que lhes valesse.

Isto para não falar dos pasquins, ferramenta pela qual a Moral vigente da comunidade, sob anonimato, está bom de ver, zurzia os costumes dos mais travessos ao cumprimento do dogma. O mesmo é dizer que era em verso que se ficava a saber quem andava metido com quem.

Aloisio Nogueira

Génio em part-time. Nasceu em 1966 e está moderadamente contente com isso, embora os seus rendimentos sejam ridiculamente baixos. Part-time genius. Born in 1966, is mildly happy about that. Ridiculously small income, though.

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