O cordel do Maxado
O “camisa 10” é Franklin Machado, o “Maxado Nordestino”, escritor, jurista e jornalista baiano, um dos expoentes modernos da literatura de cordel brasileira.
Sem se fazer anunciar, um dia destes, montou a sua banca no Parque da Nossa Senhora do Bom Despacho e, para quem o quis ouvir, foi contando os seus muitos causos, em rima, e vendendo os seus folhetos a euro e meio cada um.
Não está muito longe para mim a memória dessa literatura. Lembro-me bem de encontrar pelas feiras da minha infância, gente a declamar e até a cantar, em tom condoído, impressionantes casos de faca e alguidar, que muito me arrepiavam, tanta a maldade que ía pelo mundo.
Tenho até, bem presente na memória a figura alta e muito elegante de um cego que acompanhado pela sua guitarra portuguesa, muito escavacada, periodicamente passava pela minha rua a cantar uns versos que vendia em folhetos amarelados, retratando, quase sempre, impressionantes cenas de facadas à falsa fé, sucedidas no Cartaxo ou outra terra de lonjura semelhante, e sobre a desdita de mulheres assim deixadas viúvas com filhos pequenos de colo, sem ninguém no mundo que lhes valesse.
Isto para não falar dos pasquins, ferramenta pela qual a Moral vigente da comunidade, sob anonimato, está bom de ver, zurzia os costumes dos mais travessos ao cumprimento do dogma. O mesmo é dizer que era em verso que se ficava a saber quem andava metido com quem.
