Poção do Amor
A mulher, muito escalavrada, feia entre as feias, mas de reputação profissional imaculada, disse-me que tinha exactamente o que eu precisava. E abriu a portinholha de um armário cheio de caruncho, onde guardava um caos de frascos e frasquinhos, de todas as cores e feitios. Lá de dentro saíram uns odores acres que logo tomaram conta do aposento. Entregou-me um que dizia “possão do amor”. À saída, mal pus o pé na soleira da porta, estranhei a claridade do dia, mas sentia-me já capaz de disputar a Páris os favores de Helena de Tróia.
