{"id":2570,"date":"2014-08-25T19:10:41","date_gmt":"2014-08-25T18:10:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/?p=2570"},"modified":"2019-06-17T19:21:47","modified_gmt":"2019-06-17T18:21:47","slug":"cronicas-da-aldeia-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/blog\/2014\/08\/25\/cronicas-da-aldeia-iv\/","title":{"rendered":"Cr\u00f3nicas da aldeia IV"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image alignwide\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/10582750_10202429053951963_9205536031977416681_o-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2571\" srcset=\"https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/10582750_10202429053951963_9205536031977416681_o-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/10582750_10202429053951963_9205536031977416681_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/10582750_10202429053951963_9205536031977416681_o-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/10582750_10202429053951963_9205536031977416681_o.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<p>Na noite anterior ningu\u00e9m fazia a mais pequena ideia do que era l\u00e1 isso do Califado, que pela cara do Teles devia ser a chispa que iria espoletar o armaged\u00e3o. <\/p>\n<p>O Vitorino Alem\u00e3o, palpiteiro que era, arriscou  uma liga\u00e7\u00e3o ao virus \u00c9bola, que fora a novidade trazida da rede na semana passada. <\/p>\n<p>As novas do surto da febre, pela crueza do tipo de morte  que provoca, causaram-lhe impress\u00e3o t\u00e3o vincada, que o Vitorino anda h\u00e1 uma semana a apertar as tripas, sem ir \u00e0 casinha, n\u00e3o v\u00e1 tocar-lhe a  ele a desdita de morrer de soltura, que n\u00e3o \u00e9 boa maneira de morrer para  homem nenhum que se preze. Com o perd\u00e3o do plebe\u00edsmo, o alem\u00e3o andava  acaga\u00e7ado e n\u00e3o era com o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida soberana portuguesa.<\/p>\n<p>Que n\u00e3o. Que o califado n\u00e3o tinha nada a ver com o \u00c9bola. &#8211; \u00c9 pior,  ilustrou o Teles. Que antes era uma jura de uns barbudos, l\u00e1 da beira da  terra de Nosso Senhor, os quais ditos barbudos andam bastante  arreliados com a vida que por l\u00e1 levam, que aquilo \u00e9 uma terra que \u00e9 s\u00f3  calhaus e n\u00e3o se arranja nem uma hortazinha para semear uma ab\u00f3bora, e  que, por isso, n\u00e3o descansam enquanto n\u00e3o vierem por a\u00ed acima, com uma  comitiva a s\u00e9rio, a despejar bombas em tudo o que mexa, at\u00e9 se  assenhorarem de novo de Portugal e Espanha, com o prop\u00f3sito de unir isto  tudo a Marrocos, que j\u00e1 est\u00e1 meio apalavrado.<\/p>\n<p>\u201c\u00d3 Teles, vai-te l\u00e1  lixar, que isso \u00e9 mais uma galga igual \u00e0s que tu tens trazido das outras  vezes. Ele j\u00e1 foi o Fernando Tordo que emigrou para o Brasil; j\u00e1 foi o  BES que estava falido; outro dia, que a Lua ia cair; s\u00f3 o Bonga,  coitado, j\u00e1 morreu na tua boca  uma d\u00fazia de vezes! Ora explica l\u00e1  porque carga de \u00e1gua \u00e9 que os judeus da Nazar\u00e9 haveriam de encasquetar  para as nossas bandas, se isto por aqui n\u00e3o interessa nem ao menino  Jesus?\u201d<\/p>\n<p>O pastor, paciente como s\u00f3 os s\u00e1bios sabem ser, l\u00e1 explicou  que n\u00e3o s\u00e3o judeus, s\u00e3o mouros. Mais juntou ao esclarecimento que, h\u00e1  200 ou 300 anos, nos tempos do pai Afonso, isto por aqui era tudo deles.  Toda a gente sabe que para baixo do rio Douro, tudo que \u00e9 castelo,  penedia, amendoal e laranjal era dos mouros. E n\u00e3o v\u00e1s mais longe, Tona, que ainda hoje l\u00e1 passei com as cabras, na bica da Moura, que est\u00e1 a\u00ed  para prova.<\/p>\n<p>-Devem estar com saudades da bica da Moura, contribuiu o  Berto Sapo, que, portista desde que vira o Joaquim Le\u00e3o ganhar a Volta,  embalou e,  ainda por conta da Superta\u00e7a, n\u00e3o resistiu a come\u00e7ar a faena  habitual \u00e0 volta da bola, com uma bandarilha  das compridas: &#8211; Que  na  volta, isto do califado e barbudos com azia era derivado aos mouros n\u00e3o estarem contentes com a pol\u00edtica de contrata\u00e7\u00f5es do Benfica. <\/p>\n<p>A partir de  a\u00ed a conversa rumou a outros azimutes e a emin\u00eancia do califado foi  arquivado na pasta das irrelev\u00e2ncias, onde j\u00e1 estava o Bonga, o BES, o  Fernando Tordo e a Lua aos trambolh\u00f5es. <\/p>\n<p>De tal maneira que, regressado a casa, o Gaspar Faneco, que al\u00e9m de dono do feroz Tarzan era surdo como  um sobreiro,  no habitual relato circunstanciado que fazia \u00e0 mulher das  conversas da venda, o assunto n\u00e3o lhe mereceu mais que uma breve nota de rodap\u00e9. A mulher do Faneco ficou a saber, muito \u201c<em>en passant<\/em>\u201d, que  parece que o caminho para a bica da Moura vai ser alcatifado por uns tipos da Nazar\u00e9. <\/p>\n<p>Para a aldeia parecia que o califado, assim como aparecera, assim morrera, ao apagar-se a luz da venda. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, a vida d\u00e1 umas voltas estranhas e retorcidas. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na noite anterior ningu\u00e9m fazia a mais pequena ideia do que era l\u00e1 isso do Califado, que pela cara do Teles devia ser a chispa que iria espoletar o armaged\u00e3o. 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