{"id":1460,"date":"2014-11-19T00:50:05","date_gmt":"2014-11-19T00:50:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/?p=1460"},"modified":"2019-04-01T19:12:09","modified_gmt":"2019-04-01T18:12:09","slug":"chefchaouen-que-bem-fica-equipada-de-azul-e-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/blog\/2014\/11\/19\/chefchaouen-que-bem-fica-equipada-de-azul-e-branco\/","title":{"rendered":"Chefchaouen, que bem fica equipada de azul e branco!"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/IMG_7723_1920.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1458\" src=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/IMG_7723_1920.jpg\" alt=\"IMG_7723_1920\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/IMG_7723_1920.jpg 1920w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/IMG_7723_1920-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/IMG_7723_1920-1024x682.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a>[dropcap]A[\/dropcap]deus T\u00e2nger, que agora n\u00e3o podemos ficar. Haveremos de estar de volta, se tudo correr de fei\u00e7\u00e3o, daqui por uma semana e a\u00ed veremos. Por ora temos pressa e j\u00e1 estamos por demais atrasados, por via da modorra da aduana, que ainda nos vamos aqui a rir os 3 \u2013 a Peugeot tamb\u00e9m &#8211; \u00e0 custa das perip\u00e9cias alfandeg\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrasados estamos, n\u00e3o que sejamos esperados em Chefchaouen, que l\u00e1 n\u00e3o conhecemos ningu\u00e9m nem temos neg\u00f3cio aprazado por aqueles azimutes. Era apenas um gosto que eu tinha de ver a cidade azul, no sop\u00e9 das montanhas do Rif, muito cantada por quem l\u00e1 passa, por via das ruelas antigas da sua medina, apertadas entre um casario que parece sempre acabado de pintar de fresco, numa feliz combina\u00e7\u00e3o crom\u00e1tica de azul anil com branco, que c\u00f4a e reflete a luz de modo peculiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa particularidade urban\u00edstica associada ao permanente corrupio de gentes e mercadorias, que transita a penates por aquelas art\u00e9rias &#8211; enfim, da vida que por l\u00e1 se faz &#8211; resulta uma ambi\u00eancia geral muito prop\u00edcia \u00e0 arte fotogr\u00e1fica, particularmente daqueles que a n\u00e3o t\u00eam. Qualquer asno com uma c\u00e2mara na m\u00e3o, deixado \u00e0 solta por aquelas partes, tem uma probabilidade estat\u00edstica muito elevada de, por mera sorte, sacar um retrato que cause a secreta admira\u00e7\u00e3o invejosa (a inveja secreta \u00e9 a melhor) dos amigos, particularmente nos facebooks desta vida, t\u00e3o abundante em express\u00f5es de idiotia de diversa \u00edndole, sendo \u201cfantabul\u00e1stico\u201d, de todas, a minha favorita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era, por isso, imposs\u00edvel vir a Marrocos e desperdi\u00e7ar Chefchaouen, para efeitos de f\u00e1cil acrescento de respeitabilidade art\u00edstica. \u00a0Ali\u00e1s, pode-se dizer com toda a frontalidade que foi a incontornabilidade desta cidade que exigiu que corr\u00eassemos um caminho algo desviado do nosso des\u00e9rtico objectivo prim\u00e1rio e fixou o final da nossa primeira jornada africana na cidade imperial de Fez, como, a diante, disso darei conta.<a href=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2069-square.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1456 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2069-square.jpg\" alt=\"DSC_2069 square\" width=\"1250\" height=\"1250\" srcset=\"https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2069-square.jpg 1250w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2069-square-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2069-square-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2069-square-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2069-square-160x160.jpg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 1250px) 100vw, 1250px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por falar em asnos, em T\u00e2nger n\u00e3o tivemos dificuldade de encontrar a estrada para Tetu\u00e3o, cidade que n\u00e3o chegamos a visitar, porque n\u00e3o lhe conhecia apelo especial e tamb\u00e9m porque manda o mapa das estradas que mesmo antes de l\u00e1 chegar se desande \u00e0 m\u00e3o direita, para sul, se o destino for a cidade azul e branca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrada \u00e9 a Nacional 2, que se faz sem aperto ou novidade de monta. O tr\u00e2nsito, por ora, \u00e9 de furg\u00f5es Mercedes, carregados que nem abelhas, que apesar da idade avan\u00e7ada suprem com garbo e a preceito as necessidades de transporte de tudo que seja preciso transportar por estas bandas, necessidades que pelos exemplos observados s\u00e3o muitas e o povo marroquino \u00e9 muito dotado de habilidade acima da m\u00e9dia para a log\u00edstica e arruma\u00e7\u00e3o de cargas em ve\u00edculos autom\u00f3veis, derivada certamente de um conhecimento ancestral de leis secretas da f\u00edsica, permanentemente desafiadas em equil\u00edbrios de massas em movimento, omissas \u00e0\u00a0Lei Universal da Gravidade e da Atrac\u00e7\u00e3o dos Corpos, que Newton haveria de ficar com os cabelos em p\u00e9 se por c\u00e1 andasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/DSC_1987-1920.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1462 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/DSC_1987-1920.jpg\" alt=\"DSC_1987 1920\" width=\"1920\" height=\"1289\" srcset=\"https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/DSC_1987-1920.jpg 1920w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/DSC_1987-1920-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/DSC_1987-1920-1024x687.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As muitas gentes que c\u00e1 se v\u00eaem da estrada, l\u00e1 andam muito exemplarmente metidas na sua vida, geralmente acompanhadas de um ou mais burros, animal que, havemos de concluir, \u00e9 omnipresente em Marrocos e um pilar da sua economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho para mim que, na eventualidade de uma epidemia dizimadora de gado asinino por estas bandas, o diabo seja surdo, perder-se-\u00e1 a independ\u00eancia destes reinos, por geral imobiliza\u00e7\u00e3o de pessoas e mercadoria mi\u00fada, previs\u00e3o pouco arriscada sabendo o quanto \u00e9 vital para a autonomia das sociedades que as miudezas circulem. Deparamos tantas vezes com todas as combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis do trin\u00f3mio &#8220;velho, rapaz e burro&#8221; que muito desconfio que \u00a0a edificante hist\u00f3ria do livro de leitura da 3\u00aa classe s\u00f3 pode ter sido importa\u00e7\u00e3o marroquina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ia eu nestas importantes reflex\u00f5es de ci\u00eancia econ\u00f3mica sobre a riqueza das na\u00e7\u00f5es quando surge, finalmente \u00e0 esquerda, a estrada que nos h\u00e1-de levar encosta a cima ao encontro de Xexu\u00e3o, cuja mancha azul e branca j\u00e1 se divisa a uma l\u00e9gua daqui, pendurada nos contrafortes da montanha, \u00a0como que enquadrada por dois picos formid\u00e1veis do Rif, de onde dizem lhe vir\u00e1 o nome, que na l\u00edngua da Berb\u00e9ria significa qualquer coisa como os chifres a que os ditos picos se assemelham, mas eu isso j\u00e1 n\u00e3o juro que seja certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2068-1920.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1455\" src=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2068-1920.jpg\" alt=\"DSC_2068 1920\" width=\"1280\" height=\"1920\" srcset=\"https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2068-1920.jpg 1280w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2068-1920-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2068-1920-682x1024.jpg 682w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se julgue que o aportuguesamento do top\u00f3nimo do nosso destino pr\u00f3ximo \u00e9 uma descabida liberdade criativa deste vosso criado. N\u00e3o \u00e9. Sucede que quem se meta em andan\u00e7as por estas partes meridionais, \u00e9 certo e sabido que trope\u00e7ar\u00e1 ami\u00fade com liga\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas inusitadas ao nosso rinc\u00e3o p\u00e1trio, que sendo o que \u00e9, n\u00e3o deixa de ser nosso e dele, pela nossa natureza melanc\u00f3lica, \u00a0por isto ou por aquilo, nos surge a emocionada lembran\u00e7a, sempre que do ber\u00e7o andamos apartados mais do que um par de dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, \u00a0Xexu\u00e3o \u00e9 uma velha conhecida da hist\u00f3ria lusitana. N\u00e3o por boas raz\u00f5es, diga-se, pois o seu nome est\u00e1 registado nos nossos anais associado a sucessos aziagos, dos tempos em que por c\u00e1 andamos na nobre e santa miss\u00e3o de espalhar a f\u00e9 e o imp\u00e9rio, a par de outras tarefas menores ligadas ao acrescentamento da riqueza dos Infantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essas eras, em que o pa\u00eds nos era curto para tamanhas ambi\u00e7\u00f5es, valendo-se da sua sobredita geografia peculiar, que fazia dela fortaleza inviol\u00e1vel, Xexu\u00e3o foi capital da resist\u00eancia \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o portuguesa do magrebe, ponto de partida e de ref\u00fagio de frequentes surtidas guerrilheiras que assolavam as nossas possess\u00f5es de Arzila e T\u00e2nger.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o poucas vezes viemos n\u00f3s a Xexu\u00e3o de barrete na m\u00e3o e bolsas carregadas de ouro pagar resgates por fidalgotes palermas que se deixavam apanhar pela moirama, com as cal\u00e7as na m\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, doravante ficas Xexu\u00e3o, oh Chefchaouen, que isso n\u00e3o te deslustra o bras\u00e3o.<a href=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2046-1920.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1454\" src=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2046-1920.jpg\" alt=\"DSC_2046 1920\" width=\"1920\" height=\"1285\" srcset=\"https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2046-1920.jpg 1920w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2046-1920-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2046-1920-1024x685.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rapidamente nos pomos \u00e0s portas da cidade, mas antes de entrar, paremos e forremos os est\u00f4magos, que j\u00e1 roncam, com p\u00e3o marroquino e conservas manhosas, que previdentemente compramos \u00e0 sa\u00edda de T\u00e2nger, que isto n\u00e3o \u00e9 pa\u00eds de fiambres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei o que nos parecia piquenicar\u00a0 no meio da cidade, que at\u00e9 \u00e9 santa. Por isso comemos do lado de fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade em que acabamos de entrar \u00e9 santa, j\u00e1 se disse, \u00a0por dar t\u00famulo a um santo dos maiorais\u00a0da f\u00e9 isl\u00e2mica, Moulay Abdeslam, cuja respectiva massa de devotos considera, se calhar com uma ponta de exagero, um dos \u201c4 pilares do Isl\u00e3o\u201d. Exagero compreens\u00edvel quando s\u00e3o fortes as devo\u00e7\u00f5es e a santidade. Miremo-nos no nosso pr\u00f3prio exemplo: quantas cabe\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o foram abertas a varapau, no Minho, por diverg\u00eancias entre claques dos santos padroeiros? As coisas s\u00e3o como s\u00e3o. Aceitemos a sua natureza, como condi\u00e7\u00e3o de concerto universal das coisas e felicidade dos simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ademais de ser cidade santa, Xexu\u00e3o acumula tal honra com a de ser igualmente a capital mundial da produ\u00e7\u00e3o de haxixe, combina\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de bater no que toca \u00e0 metaf\u00edsica e deve elevar as experi\u00eancias m\u00edsticas vivenciadas na localidade a patamares dif\u00edceis\u00a0de alcan\u00e7ar em qualquer outra parte do mundo, tirando talvez o Monte de Santo Ant\u00f3nio, em Silva Escura, tal o cheiro a alecrim queimado que, uma vez por entre outra, de l\u00e1 vem em dia de vento favor\u00e1vel.<a href=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2032-square.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1453\" src=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2032-square.jpg\" alt=\"DSC_2032 square\" width=\"1280\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2032-square.jpg 1280w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2032-square-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2032-square-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2032-square-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/DSC_2032-square-160x160.jpg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mal entramos na cidade, em dia de mercado semanal, passamos a ser discretamente seguidos \u00e0 dist\u00e2ncia por comerciantes locais, que pacientemente aguardaram que parque\u00e1ssemos a viatura para, em razo\u00e1vel portugu\u00eas, nos proporem a venda da melhor ganza das redondezas, contrato cuja outorga declinamos com simpatia, mas que o nosso interlocutor tomou como desconfian\u00e7a acerca da qualidade do seu produto e, ofendido, fez a franqueza comercial de oferecer uma pequena quantidade para teste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como recusamos, uma vez mais com simpatia, ele, ainda assim n\u00e3o ficou convencido. Era imposs\u00edvel que tipos com o nosso aspecto respeit\u00e1vel n\u00e3o tivessem vindo ali para comprar ganza. Passou a vigiar os nossos passos, sempre discretamente, n\u00e3o fosse o nosso desinteresse ser um mero truque comercial para baixar o pre\u00e7o da mercadoria.<a href=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/IMG_7718_1920.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1459\" src=\"http:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/IMG_7718_1920.jpg\" alt=\"IMG_7718_1920\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/IMG_7718_1920.jpg 1920w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/IMG_7718_1920-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.aloisio66.com\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/IMG_7718_1920-1024x682.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Justi\u00e7a seja feita \u00e0 medina de Xexu\u00e3o, que de facto tem um encanto todo particular, muito azul e branca, ruas e casas que pouco t\u00eam a ver com estas \u00e1fricas e n\u00e3o enganam nem escondem, antes revelam e confirmam, as vicissitudes hist\u00f3ricas do seu povoamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Xexu\u00e3o, apesar de santa para o isl\u00e3o e at\u00e9 por causa disso, <em>in illo tempore<\/em>,\u00a0 tivesse andado vedada \u00e0 presen\u00e7a de outros credos, sempre foi ref\u00fagio muito ao gosto de mouros e judeus peninsulares (que lhe trouxeram o azul) quando a desdita lhes bateu \u00e0 porta, na Ib\u00e9ria dos nossos muito cat\u00f3licos e intolerantes reis, l\u00e1 para os anos dos s\u00e9culos 15 e 16, am\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anda-se regalado e distra\u00eddo por aquelas ruas, como se ali f\u00f4ra o Alentejo ou a Andaluzia, que a diferen\u00e7a aos olhos vai de pouca a nenhuma e o ritmo \u00e9 o mesmo e tudo est\u00e1 muito \u00e0 fei\u00e7\u00e3o para o olho at\u00e9 do fot\u00f3grafo mais minguado de talento, que com alguma liberdade de linguagem, quase se pode dizer que os retratos se tiram sozinhos em Xexu\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estavamos neste pasmar, quando surge o homem da cooperativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a9 fotos, tamb\u00e9m, de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/mario.araujo.10\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">M\u00e1rio Ara\u00fajo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[dropcap]A[\/dropcap]deus T\u00e2nger, que agora n\u00e3o podemos ficar. 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