Santa Luzia, bendita!

Santa Lúcia de Siracusa, popularmente conhecida por Santa Luzia – a quem o Imperador Diocleciano, que era um bom estafermo, mandou tirar os olhos, muito arreliado que estava com a firmeza da Fé da virgem siracusense – é muito justamente a padroeira dos oftalmologistas e, esgotada a ciência, último recurso seguro dos aflitos da vista.

Esclareça-se os mais incréus, que já se apressam a apontar a antinomia, que este estatuto da santa não lhe adveio de ter ficado ceguinha, que disso ninguém está livre e não fica santo por essa desdita. Foi antes, está bom de ver, pelo formidável milagre que se produziu logo a seguir à cruel desolhação de Lúcia: o poder da Fé inquebrantável da moça logo lhe fez nascer no rosto novos olhos, ainda mais lindos e de visão mais apurada que os anteriores.

Muito adequadamente, por isso, no lugar de Santa Luzia, debruçado sobre o Leça, a creche que lá se ergueu por estes dias, para prosseguir a nobre missão de dar as primeiras luzes aos infantes daquelas paragens, tomou como seu o nome do lugar e se chama, ela também, Creche de Santa Luzia, homenageando de uma penada, sem querer, a visão (lá está!) daqueles que, muito antes dos comuns, foram antecipando o futuro e dos que, depois, não se negaram às maçadas e afazeres da  empreitada.

Isto, no fundo, anda tudo ligado.

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Aloisio Nogueira

Génio em part-time. Nasceu em 1966 e está moderadamente contente com isso, embora os seus rendimentos sejam ridiculamente baixos. Part-time genius. Born in 1966, is mildly happy about that. Ridiculously small income, though.

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